Invenção romanesca do mar

INVENÇÃO ROMANESCA DO MAR O mar não era mais que uma idéia triste enquanto não se permitia tormenta, quando era só o mole sono de nereidas, baloiço de barco à vela à deriva do lento coagular-se do luar. No fazer-se tormenta, no entanto, o mar não se fez boa idéia, e nem má. No furor…

Mini-curso sobre Mitologia e História em Os Lusíadas

Por muitas coisas é que Os Lusíadas é o ponto central da cultura lusófona. Por ser a liga entre o imaginário greco-romano humanista e a herança medieval católica que nos moldou a sensibilidade e a inteligência. Porque Camões deu-nos a linguagem para falar sobre o amor, a fé e a coragem, e denunciar a malícia,…

Estréia no Instituto Valor e Verdade

Graças a um gentil convite do grande André Lisboa, juntei-me a ele e ao Michael Lima como professor membro do Instituto Valor e Verdade, uma iniciativa que tem procurado trazer discussões filosóficas de alto nível em eventos aqui em São Luis. No site do instituto publicamos séries semanais sobre alguns dos grandes temas do pensamento…

Entrevista no podcast Carcarás

Na última quinta, dia 03, tive a honra de participar do podcast dos Carcarás – Juventude Conservadora da UFMA, para, a partir do documentário O Jardim das Aflições, do Josias Teófilo, conversar um pouco com Michael Max Amorim sobre a filosofia de Olavo de Carvalho, principalmente sobre os elementos que julgo mais essenciais em sua…

O Jardim das Aflições e a realidade reconquistada

Saudações, amigos. Retomo este blog como parte de um projeto que será revelado nos próximos meses. Mantenho os pequenos ensaios publicados anteriormente, mas digo desde já que o que vem, embora permaneça no mesmo universo cultural, terá outro direcionamento. Como marco desta nova fase, inicio uma coluna semanal, um híbrido de crônica, ensaio e comentário….

Bem são rios estas águas

Fechando aqui um ciclo que se iniciou com O Degredado, continuou com o Alefbetário e veio dar cá neste Da Reconquista. Ao contrário dos outros blogs, deixarei este no ar; se me incomoda uma coisa aqui e outra ali, há algo que valha. No mais, vou perdendo a vergonha do que ficou no tempo, e gostando…

Quando não há política

E só cresce a desconfiança de que o antagonismo político do país, polarizado na disputa PT x PSDB, é em verdade a exteriorização de um embate paulista em sua origem e essência: é o filho de mentalidade pequeno-burguesa brigando com o irmão, cuja revolta adolescente toma as características do modismo do dia: eco-ambientalismo, teoria do gênero, cicloativismo, meu-corpo-minhas-regras,…

Penitentes e contritos na sagrada procissão

Ladainha de Canudos (Gereba/João Bá) Usaram as águas do rio quem nem arma do medonho Pra destruir a morada, Terra Santa do Beato Santo Antônio Penitentes e contritos Na sagrada procissão Pra bandeira de canudos Nunciar Ressurreição Mais um pouco e a litania “mais Estado/menos Estado” dos liberais empurra-me para o monarquismo de esquerda do…

Algumas notas sobre Submissão, de Michel Houellebecq

(Texto publicado anteriormente em maio de 2015. A eleição do primeiro prefeito muçulmano de Londres só acentua a importância deste romance.) 1. Devido à tragédia coincidente à apresentação do romance ao mundo — capa do Charlie Hebdo no dia em que o pasquim foi atacado por terroristas islâmicos — e a opiniões anteriores de seu…

Aforismos kafkianos

Alguns dos perturbadores aforismos de Kafka: 4. São muitas as sombras de falecidos que apenas se ocupam em lamber as marés do rio dos mortos, porque este vem dos nossos lados e ainda tem o sabor salgado dos nossos mares. O rio crispa-se então enojado, inverte o sentido da corrente e despeja os mortos de…

De quando Albert Camus fez sua entrevista com um vampiro

“Se os proxenetas e os ladrões fossem sempre condenados em toda parte, as pessoas de bem, meu caro senhor, julgar-se-iam todas e incessantemente inocentes. E, no meu entender — pronto, pronto, chego lá! — é sobretudo isso que é preciso evitar. De outra forma, haveria muita razão para rir.” A queda, Albert Camus  O questionamento…

Demolidor e o complexo de Elektra

O problema da liberdade humana, ou melhor, o problema de se tomar uma escolha que pode definir toda uma vida, eis o grande tema do romance moderno. É o problema do ser, enfim: ser ou não ser, para Hamlet, significa vingar ou não vingar a morte de seu pai; para o Dom Quixote, ser ou…