Mensagem de ano-novo

michael arcangele

São tempos de medo e desesperança, a crise econômica não é nada diante da crise espiritual que passa pelo Brasil. Por isso, como mensagem de ano-novo deixo este impressionante trecho do fabuloso e profético Romance d’A Pedra do Reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta, do saudoso Mestre Ariano Suassuna, que retrata perfeitamente o que se anuncia para o ano que vem, e a atitude com que devemos encarar o tempo que chega:

“– (…) Momentos de medo, como esse que você diz, todo mundo tem! Agora mesmo é um desses: você está ameaçado, apavorado! E tem razão, porque você é um homem marcado, faça o que fizer e fuja como fugir! Momentos como esses  são os de se gritar para Deus, dizendo: ‘Tome suas providências! Tome, porque no meu aniquilamento, não sou capaz de fazer mais nada! E mesmo que ainda pudesse tomar algumas, seriam as providências da fraqueza, da maldade, da incompetência e do erro!’ Mas, se antes, no começo de tudo, a pessoa fez doação de sua vida, se colocou sua segurança em Deus e no seu trabalho (e não nos tesouros da terra, do gado, dos bens amealhados), aí ele será um forte do Evangelho, mesmo que tenha morrido de pânico.’Onde você colocar o seu tesouro, aí estará o seu coração.’ É por isso que eu lhe aconselhava ainda agora, Dinis: entre, de corpo e alma, para o centro do fogo, colocado debaixo do sol de Deus, porque nosso tempo é perigoso mas glorioso. Herodes está solto por aí, pronto para enforcar, sangrar e cortar as cabeças dos inocentes. Mas, por isso mesmo, João Batista também já apareceu para batizar na água e no fogo! Sabe por que, Dinis? Porque sempre que chega o tempo de Herodes, chega também o tempo dos profetas! Existem três sangues dentro do homem: o sangue do fogo-sujo e da besta; o sangue do pensamento e o sangue do espírito de santidade. Todos vivem misturados no sangue da gente, o que é uma cruz de fogo dura demais para nossas costas! Às vezes o homem é puxado para baixo, pela besta, para o fogo-sujo, o fogo do monturo que, embaixo, queima a carne podre e escura dos bichos mortos e apodrecidos. Mas o coração, moeda de fogo incendiada, arde, e então o homem é puxado para cima, para o anjo de fogo da santidade que voa no sol! Assim, Dinis, não espanta que o homem queira fugir e se esconder dessa Onça, desse fogo que é Deus! É muito dura a nossa luta; mas se essa guerra do homem contra o fogo-sujo é a marca da nossa baixeza, é também o sinal de que podemos  chegar ao sol do Divino! Saia do lado do Diabo, Dinis, meu filho! Saia, que você sairá da insegurança e do medo!”

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